Segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Última Modificação: 09/06/2020 16:52:09 | Visualizada 230 vezes
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Preso desde o dia 15 de novembro, o ex-ministro José Dirceu diz já ter se acostumado com a vida no cárcere. “O ambiente entre nós é bom e, apesar da ilegalidade da prisão e do regime fechado, as condições carcerárias são razoáveis. Temos biblioteca e banho de sol, como todos os internos, inclusive acesso a uma cantina”, descreveu em bilhete encaminhado por meio dos advogados a uma amiga, publicado ontem no seu blog mantido por assessores.
Sua rotina, segundo relatou, é “fazer muita ginástica e planos”. Para o tempo passar diz que está “lendo, estudando e trabalhando”. Ele não informou no que está trabalhando dentro do presídio, mas observou: “O estudo e o trabalho contam como remição de pena. Apesar da saudade, da indignação, continuo daquele meu jeito que você também conhece”.
Biblioteca
O Blog do Zé publicou apenas o trecho do bilhete, não o manuscrito. Os presos do mensalão foram obrigados a doar os livros para a biblioteca do Complexo Penitenciário da Papuda e passaram a cumprir horário para leitura.
Como chefe do esquema do mensalão, Dirceu foi condenado a 10 anos e 10 meses de prisão no regime fechado, mas cumpre pena em regime semiaberto até o julgamento de um último recurso pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que deve ocorrer no próximo ano.
Ex-ministro multiplicou negócios após passagem pela Casa Civil
O ex-ministro José Dirceu multiplicou sua possibilidade de negócios após sua passagem como ministro-chefe da Casa Civil do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Fora do governo e com o mandato de deputado cassado pelo envolvimento no esquema do mensalão, Dirceu alterou cinco vezes a razão social da JD Assessoria e Consultoria e incluiu no seu escopo de atuação a atividade de lobby para diversos setores com interesses no governo federal.
Fortuna
Ao ampliar o escopo de sua consultoria, Dirceu fez fortuna. Sua última declaração de bens pública, apresentada à Justiça Eleitoral em 2001, informa que ele tinha bens e valores que somavam R$ 172,8 mil em valores da época. Somente a casa em que funcionava sua consultoria, em São Paulo, está avaliada em R$ 5 milhões por corretores. Após sua prisão, o imóvel na Avenida República do Líbano, a 300 metros do Parque do Ibirapuera, foi colocado à venda.
Documentos aos quais o jornal O Estado de S.Paulo teve acesso mostram que, com as alterações na razão social da JD Assessoria e Consultoria, Dirceu se propôs a “viabilizar o relacionamento institucional de particulares com os mais variados setores da administração pública”. Atuou, ainda, em favor de clientes dos setores sucroalcooleiro, minero-siderúrgico e termoelétrico junto a órgãos públicos de fiscalização e de meio ambiente, áreas tradicionalmente dominadas pelo PT.