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Roubo de veículos aumenta 32% no interior do Paraná

Terça-feira, 10 de setembro de 2013

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A cada 22 minutos, um carro é levado por ladrões no estado. Na Aisp de Maringá, 651 veículos foram roubados ou furtados no primeiro semestre deste ano

O número de veículos furtados ou roubados no interior do Paraná cresceu 32% no primeiro semestre deste ano. O movimento foi contrário ao registrado em Curitiba, que teve queda de 5,4% no mesmo período. Em todo o estado, o número de ocorrências aumentou 14,8% entre janeiro e julho de 2013. Em números absolutos, 11.492 veículos foram levados por bandidos, o equivalente a um carro a cada 22 minutos.

Divulgado pela Secretaria de Estado da Segurança Pú­blica (Sesp), o levantamento indica que a atenção das quadrilhas tem se voltado às pequenas e médias cidades. Os dados trazem, pela primeira vez, índices de cada uma das 21 microrregiões – chamadas de áreas integradas de segurança pública (Aisp). Como não há números regionalizados do mesmo período do ano passado, não é possível aferir a evolução dos índices em cada área. Ainda assim, os dados brutos dão um panorama geral do estado.

 

Curitiba – onde um carro foi tomado a cada hora – e região metropolitana respondem por metade dos casos. Outras regiões que têm frotas numerosas também apresentam números expressivos. Na Aisp de Londrina, em média, seis carros foram levados por dia no primeiro semestre deste ano. Na Aisp de Maringá foram 3,5 veículos por dia.

 

Atrativo

 

Para especialistas, o inte­rior atrai os ladrões por causa da falta de segurança. “Quan­do há muita repressão na capital, os bandidos tendem a se deslocar para o interior, onde as cidades são mais pacatas e com menos policiamento”, explica o especialista em segurança pública e ex-comandante da Polícia Militar de São Paulo, coronel Rui César Melo.

 

O delegado da Polícia Fe­deral e coordenador do Núcleo de Estudos de Segurança da Universidade Tuiuti do Pa­raná, Algacir Mikalovski, afirma que o baixo efetivo policial dei­xa as pequenas e médias cidades mais vulneráveis. Atualmente, o Paraná tem 15,8 mil policiais militares. Um PM para cada 669 paranaenses, a segunda pior média do país. Em cidades com menos de 20 mil habitantes, apenas dois policiais trabalham por turno.

 

“O efetivo do Paraná está no patamar em que estava nos anos 1980. Seria preciso dobrar o número de policiais porque, com o efetivo atual, é impossível fazer um trabalho preventivo eficiente”, diz o delegado.

 

Para Mikalovski, as estatísticas ressaltam a necessidade de se traçar, a partir dos dados levantados, um plano de segurança pública que integre todas as áreas, de acordo com suas especificidades. “O crime se fortalece onde a prevenção é fraca. Sem este plano, corre-se o risco de simplesmente transferir o problema para a cidade vizinha”, avalia.

 

Comércio de peças alimenta esquema ilegal

 

Os furtos e roubos de veículos raramente ocorrem de forma pontual. Estão atrelados a uma estrutura criminosa organizada, que também se expande em direção ao interior do estado. O comércio ilegal de peças automotivas alimenta uma cadeia bem entrosada de furtos, desmanches e receptadores.

 

A articulação é semelhante à denunciada na Operação Vortex, que revelou a participação de policiais civis. Segundo a investigação, eles cobravam propina de lojistas para fazer vistas grossas à venda de peças roubadas.

 

“Via de regra, há um esquema pronto. O ladrão ganha R$ 1 mil ou R$ 2 mil por carro roubado. O veículo é destinado ao desmanche, que reparte as peças entre as lojas do esquema, que pagam os policiais para não coibirem a prática. É como uma máfia”, explica o coronel Rui César Melo, especialista em segurança pública.

 

Para o delegado Algacir Mikalovski, as forças de segurança só vão conseguir reduzir os índices se houver combate à receptação e uma fiscalização intensa e isenta do mercado paralelo de peças automotivas. “É uma criminalidade sistêmica. Se não houver o destinatário final, não vai haver o delito. O sistema é sustentado pelo comércio de pessoas”, diz.

 

Melo revela que o trabalho não deve se restringir à polícia, mas envolver prefeituras e Receita Estadual. O especialista defende “tolerância zero” ao comércio ilegal. “Deveria se proibir de uma vez esse comércio de peças em ferros-velhos. É preciso um trabalho forte para fechar os desmanches e uma atuação severa das corregedorias das polícias, porque os maus policiais é que mantêm o sistema operando.”

 

Planejamento

 

Pouco mais de um mês à frente da Divisão Policial do Interior (DPI), o delegado Rogério Antônio Lopes aposta em uma maior integração com as forças policiais e na aproximação com a comunidade para reduzir os índices de furtos e roubo de veículos. “No interior, temos uma parceria muito boa com a PM e com as guardas municipais. Além disso, precisamos continuar próximos da população, porque nas pequenas cidades existe uma facilidade, já que os locais são menores e as pessoas têm uma consciência comunicativa maior”, disse.

 

 

 

 

Fonte: GAZETA MARINGÁ

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