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Autores paranaenses poderão ser obrigatórios..

Segunda-feira, 23 de setembro de 2013

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Medida está prevista em projeto de lei em trâmite na Assembleia. Universidades estaduais reprovam proposta

Instituições de ensino superior do Paraná poderão ser obrigadas a prever nos vestibulares no mínimo uma questão sobre escritores paranaenses. É o que estabelece o Projeto de Lei 290/13, de autoria do deputado estadual Leonaldo Paranhos (PSC).

 

A matéria foi provada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no último dia 3 de setembro e pode impactar diretamente na elaboração das provas de universidades estaduais. A proposta já é considerada inadequada por algumas comissões universitárias que organizam processos seletivos.

 

Para o presidente da Comissão de Vestibular da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Emerson Arnaut de Toledo, a obrigatoriedade engessaria a escolha dos conteúdos. “Isso nos tira a liberdade de elaborar questões sobre o programa em si. Numa prova de avaliação seriada, por exemplo, seríamos obrigados a pedir o mesmo livro, ainda que ele não esteja no programa da série”, define.

 

Ele sustenta que autores paranaenses, como Helena Kolody, já foram exigidos no vestibular da UEM, mas que fazer disso uma regra poderá tirar seu caráter educativo. Além disso a falta de obras paranaenses que sejam de domínio público poderia prejudicar candidatos egressos de escola pública.

 

“Seria criada a mesma dificuldade que se tem hoje em relação aos conteúdos de História e Geografia do Paraná, já que não existe material didático suficiente para indicar”, diz o professor, ao enfatizar que já há uma lei estabelecendo que 20% das questões destas disciplinas versem sobre o estado nos vestibulares.

 

Contexto

 

A chefe da Coordenação de Processos Seletivos (Cops) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Cristina Bulhons Simon, também é contrária à proposta. Ela argumenta que a universidade já pede escritores paranaenses, como Domingos Pellegrini e Dalton Trevisan, mas que o fato preponderante para esta escolha não é o regionalismo.

 

“O que prevalece é a literatura. Nós procuramos diversificar gêneros e épocas”, salienta. Cristina avalia ainda que o projeto poderia favorecer estudantes do Paraná, em detrimento de candidatos de outras regiões.

 

Já a coordenadora pedagógica da Comissão Permanente de Seleção da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Aline Emílio, defende que vários fatores precisam ser considerados na escolha dos livros indicados, como o conteúdo abordado pelos escritores e não apenas o estado de onde vieram. “O interessante seria se tivéssemos um projeto que valorizasse esses autores. Não é com obrigatoriedade que se ganhará essa visibilidade”, pontua.

 

 

Dificuldade será apenas inicial, diz estudante

 

Em meio à concorrência por uma vaga em universidades públicas do Paraná, a possibilidade de ter de se dedicar à leitura de obras paranaenses não é vista com receio entre os vestibulandos. A estudante Maísa Garcia, 18 anos, reconhece que a medida demandará mais dedicação dos candidatos, assim como as questões sobre História e Geografia do Paraná que já caem em vestibulares do estado. “Para ir bem, estudo em um plantão específico para essas matérias”, conta.

 

O estudante Gustavo Minhon (foto), 18 anos, que se prepara para o vestibular de Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina (UEL), acredita que a internet poderá facilitar o estudo de candidatos de outras regiões do país, que até então não teriam fácil acesso a autores paranaenses. Ele também considera o projeto como uma forma de estimular a literatura local. “Se vou prestar um vestibular, tenho de conhecer os livros que a universidade me propõe”, diz.

 

Divergência

 

O Projeto de Lei 290/13 considera como autores paranaenses os membros da Academia Paranaense de Letras, e entre as justificativas da proposta, está a de que a iniciativa favoreceria o conhecimento e a comercialização de obras. Quando passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a matéria chegou a receber um parecer contrário do relator, ainda assim, foi aprovada por 6 votos a 5 pela comissão.

 

Fonte: Gazeta Maringá

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