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Brasil promove campanhas para reverter alto índice de césareas...

Segunda-feira, 04 de novembro de 2013

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Mais da metade dos partos ocorre por meio cirúrgico. País tenta mudar esse quadro com equipamentos, infraestrutura e treinamentos

 

Nascer de parto normal no Brasil é para poucos. Dados do Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento no Brasil, pesquisa realizada pela Fiocruz, indicam que 53% dos partos no país são cesáreas, com prevalência nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. Para reverter esse quadro, governos e grupos sem fins lucrativos vêm realizando campanhas de incentivo ao parto normal. O foco é dar mais informação e garantias de conforto e respeito à mulher neste momento.

Nesse sentido, uma das ações do governo federal tem sido a criação dos Centros de Parto Normal. Locais com estrutura voltada para atender gestações de baixo risco em que não há indicação de cesárea. Até o ano que vem, o Ministério da Saúde pretende implantar 280 centros desse tipo em todo o Brasil. Desses, ao menos dois devem ficar no Paraná – um no Hospital do Trabalhador, em Curitiba, e outro na Maternidade Lucila Balalai, em Londrina.

 

De acordo com a enfermeira Olga Peterline, assessora técnica do programa Mãe Paranaense, inicialmente a maternidade do Hospital do Trabalhador será equipada com algumas camas especiais que são usadas do período de evolução do parto até o momento do nascimento. “Com isso, a mulher não precisa ir para um centro cirúrgico para ter o bebê”, explica.

 

O plano, porém, é que seja construído um espaço específico no hospital para a realização do parto normal, com equipamentos e estrutura própria para diminuir a intervenção hospitalar no momento do nascimento. O modelo desses centros de parto é inspirado em experiências já desenvolvidas na Holanda, França e Inglaterra.

 

Cultura

 

A avaliação de médicos e pessoas envolvidas com a questão, no entanto, é de que pouco vai adiantar melhorar a estrutura das maternidades para favorecer o parto normal se não ocorrer uma mudança cultural. Isso vale tanto para gestantes como para os médicos. Um estudo realizado por pesquisadores da Fiocruz com grávidas atendidas na rede particular mostrou que, no início da gestação, apenas 30% das entrevistas tinham preferência pela cesariana. Esse número chegou a 70% ao final da gestação, o que indica uma influência médica na decisão.

 

“Existe uma ideia preconcebida de que a cesárea não tem imprevistos, é menos arriscada. Além disso, o sistema de saúde também beneficia esse quadro, porque a remuneração do parto normal é baixa. Também há a questão do deslocamento, o medo de não dar tempo de chegar ao hospital. Enfim, é um somatório de fatores”, observa o médico obstetra Edson Tizzot, do Hospital Nossa Senhora das Graças.

 

Para mudar a visão predominante, os Ministérios da Saúde e da Educação estão revendo o currículo acadêmico dos cursos de medicina. No Paraná, o governo do estado trabalha com as equipes médicas e de enfermagem para promover o parto normal.

 

Grupos querem punição para agressão no parto

 

Não é raro ouvir de mulheres histórias de violência no momento do parto. Há ocorrências de comentários agressivos, xingamentos, ameaças, exames de toque abusivos e até agressão física e tortura psicológica. Com base nesse quadro, grupos que defendem o parto humanizado querem a criação de uma legislação específica sobre o tema, prevendo os procedimentos que podem ser enquadrados como agressão e punição para quem os cometer.

 

O dossiê Violência Obstétrica – Parirás com Dor, elaborado pela ONG Parto do Princípio, relata os casos de violência contra a mulher durante o trabalho de parto. O documento foi entregue aos parlamentares que integraram a CPMI da Violência Contra as Mulheres – um capítulo do relatório final da comissão foi dedicado ao tema. O texto destaca pesquisa da Fundação Perseu Abramo que indica que 25% das mulheres com filhos sofreu alguma agressão durante o nascimento da criança.

 

Pressão

 

Para pressionar os políticos paranaenses, o grupo Movimento Bem Nascer em Curitiba vem entrando em contato com os parlamentares do estado a fim de realizar no ano que vem uma audiência pública para discutir a violência obstétrica.

 

No mês passado, o grupo promoveu na capital a Marcha pela Humanização do Parto, que reuniu cerca de 150 pessoas no centro da cidade. Em outras 29 cidades do país também ocorreram caminhadas pelo mesmo motivo.


Fonte: GAZETA-MARINGÁ

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