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Para 45%, pa?s mudou ap?s protestos...

Sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Última Modificação: 09/06/2020 16:52:09 | Visualizada 227 vezes


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Redução das tarifas de ônibus foi o efeito mais visível das jornadas de junho. Pesquisa mostra que brasileiros ainda apoiam as manifestações

Seis meses depois dos protestos que mexeram com a percepção política do país, os brasileiros ainda aprovam as manifestações que, segundo eles, trouxeram mudanças visíveis para o Brasil. Levantamento feito em 158 municípios brasileiros pelo Instituto Paraná Pesquisas, entre os dias 3 e 7 de dezembro, revela que as jornadas de junho – como ficaram conhecidos os protestos que tomaram contas das ruas do país – mudaram algo para 45% dos entrevistados. A aprovação é grande, embora nem todos tenham tomado parte no processo.

Dos 2.250 brasileiros maiores de 16 anos que responderam à pesquisa, apenas 15,5% participaram dos atos, mas 79% aprovam as movimentações populares. “A maior parte das pessoas foi simpática, mesmo sem participar. Mesmo que houvesse pautas específicas, mais ou menos extremadas, a pauta geral era: ‘queremos um mundo melhor’. Isso contribuiu para a boa impressão dos protestos”, analisa o cientista político da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fabricio Tomio.

 

INFOGRÁFICO: Veja a pesquisa completa

 

A redução ou o congelamento da tarifa do transporte urbano é vista, na opinião dos analistas, como uma das principais razões para a percepção de mudança no país graças às jornadas. “Não é descabida a percepção de que teve uma mudança. Para as pessoas, houve uma relação de causa e efeito entre o protesto e a redução da tarifa. E o resto das demandas não são avaliáveis a curto prazo, mas o preço da passagem é uma alteração imediata na vida delas”, diz Tomio.

 

Corrupção

 

A principal motivação enxergada pelos entrevistados para a insatisfação popular é a corrupção do país, apontada por 33%. Já o motivo original dos protestos, o transporte coletivo, ficou em segundo lugar, com perto de 23%, seguido pela Copa do Mundo (20%) e pela situação econômica do país (16%). Entretanto, na avaliação do diretor do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, a questão dos transportes foi o que houve de mais concreto nas reivindicações. “Foi uma insatisfação geral, mas enquanto não baixou a tarifa, ninguém sossegou. O ganho nessa área foi muito claro”.

 

Atos minguaram por falta de foco, diz manifestante

 

A empresária Lívia Farah diz acreditar que a falta de foco, combinada com o recrudescimento da violência, minguou as manifestações – embora a violência policial tenha sido também um motivador para a indignação popular, atesta. Ela participou dos primeiros atos na capital contra a tarifa do transporte público. Lívia diz que apoia as manifestações e afirma que elas trouxeram mudanças, mas muito poucas dada a magnitude das passeatas. “Se a gente não tem um foco, o protesto vira uma aglomeração de pessoas cantando o Hino Nacional na rua. É preciso saber o que pedir.”

 

Para Lívia, o maior ganho das jornadas foi a percepção da importância da coletividade pela maior parte das pessoas. “Foi um despertar da população que nunca havia se envolvido com nada. As pessoas viram que são realmente necessárias.”

 

Ela acredita que, caso hajam novos protestos na Copa, eles serão mais centrados, embora mais fracos: “A mesma massa que engrossou os protestos de junho é a massa que vai adorar ter a Copa aqui. Então essas pessoas devem ficar de fora, o que deve dar espaço para reivindicações mais concretas e precisas”, opina.

 

 

 

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