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Interior gerou quase 90% dos empregos no Paraná..

Quinta-feira, 06 de março de 2014

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Dados do Caged revelam que Curitiba foi responsável por apenas 12,4% das vagas abertas no estado em 2013

O interior foi responsável pela geração de nove em cada dez empregos no Paraná ao longo de 2013, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. A proporção foi a mais alta desde 2009, quando o cadastro adotou a metodologia atual – das vagas criadas no ano passado, 88,6% estavam no interior e 12,4%, em Curitiba. Normalmente a distribuição é um pouco menos desproporcional. De 2009 a 2011, a capital gerou 27% das vagas contra 73% nas demais cidades. Em 2012, no entanto, a vantagem passou a aumentar – Curitiba foi responsável pela criação de 24% dos postos de trabalho e o restante do estado, 76%.

Confira a participação do Interior do Paraná na geração de empregos

Nos dados estratificados, a geração de empregos na indústria foi o fiel da balança para justificar o desequilíbrio dos resultados. O saldo curitibano neste setor foi negativo. Entre as admissões, as fábricas do interior do estado foram responsáveis por 87% das contratações nas indústrias paranaenses em 2013.

Segundo o professor de Economia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Saulo Campos, nos últimos dois anos aconteceu uma forte interiorização dos investimentos que chegaram ao estado. “A abertura de um projeto industrial tem um grande impacto na geração de empregos e isso justifica a desproporção na criação de postos de trabalho”, explica.

No geral, o resultado mostra que o esgotamento do emprego nas grandes cidades ainda não ocorreu no interior. O saldo de empregos gerados – diferença entre os profissionais admitidos e desligados – de Curitiba caiu pela metade em 2013. De 17 mil novos postos criados em 2012, o número de novas vagas baixou para 8,9 mil no ano passado. Resultado diferente do interior paranaense, que apresentou alta de 23% de um ano para o outro – em 2012 foram 56 mil novos postos e, em 2013, 69 mil.

 

Trabalho fixo e nova carreira

A secretária executiva Laiz Regina Paludetto, de 26 anos, é um dos beneficiados pelo aquecimento do mercado de trabalho no interior. Ela garantiu uma vaga de trabalho em uma área até então diferente da que exercia, mas com melhor perspectiva de carreira. Formada em Comunicação Social, Laiz vinha atuando com a realização de eventos. O trabalho era fixo, mas, depois que teve um bebê, ela passou a executar funções temporárias. Até que em março passado teve a oportunidade de ser efetivada como secretária em um sindicato de Londrina voltado a indústrias de soft­ware. “Foi uma surpresa boa”, define.

Laiz afirma que tem se empenhado para atender as demandas da nova função, que inclui rotinas de recursos humanos e do departamento financeiro da entidade. A mudança de segmento, avalia ela, lhe proporcionou ganhos profissionais e pessoais. “Estou satisfeita, aprendendo coisas novas”, diz.

Estímulo

Reajuste do salário mínimo aqueceu mercado de cidades menores

Um dos fatores que contribuiu para que o interior tivesse melhores resultados na geração de empregos foi a política de reajuste do salário mínimo. Cidades menores costumam depender mais do mínimo para manter a economia local e o mercado de trabalho aquecidos. Em 2013, a alta real do mínimo foi de 2,7%, acima do 1,8% do ganho real do trabalhador médio do Brasil apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“O salário mínimo também é um indexador de quem é beneficiário do INSS. Dois terços dos previdenciários têm o salário ligado ao mínimo, o que beneficia em boa medida o interior”, diz Fabio Romão, economista da consultoria LCA.

Na avaliação do economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) Fernando de Holanda Barbosa Filho, um dos fatores que pode estar limitando a criação mais forte de emprego nas áreas metropolitanas é o desempenho mais fraco do consumo. “Desde o ano passado, a região metropolitana mostra um nível de contratação mais baixo”, afirma. Dessa forma, grandes setores empregadores, como serviços e comércio, estão sendo afetados e abrindo menos postos.

Fenômeno nacional

O movimento segue uma tendência do restante do Brasil. Também de acordo com o Caged, 2013 foi o primeiro ano em que o interior do Brasil ultrapassou as áreas metropolitanas na criação de empregos formais. Levantamento da consultoria LCA revela que o interior de nove estados (Pará, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul) foi responsável pela abertura de 340.881 postos formais na série sem ajuste, enquanto as áreas metropolitanas empregaram 211.190 pessoas.

Colaborou Antoniele Luciano, correspondente em Londrina.


 


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