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Com pátios lotados, montadoras liberam pessoal e cortam produção...

Quinta-feira, 24 de abril de 2014

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Quase metade das fabricantes de veículos do país anunciou medidas de redução da jornada de trabalho, como férias coletivas e dispensa temporária de funcionários


A queda de 8% na produção de veículos no primeiro trimestre e de 32% nas exportações para a Argentina no mesmo período já afeta o regime de trabalho nos principais parques automotivos brasileiros. Das 20 fabricantes de automóveis, comerciais leves e caminhões instaladas no país, quase metade anunciou alguma medida para reduzir o ritmo de produção, como corte de turno, férias coletivas e plano de demissão voluntária. Nessa lista estão Volkswagen, Renault, Fiat, Peugeot-Citroen, Ford e GM, na área de automóveis, e Mercedes-Benz, Man e Scania, na de caminhões.

 

 


Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), no fim de março havia 387,1 mil veículos acumulados nos pátios, o que equivale ao volume de vendas de 48 dias. É o estoque mais alto desde novembro de 2008, quando correspondia a 56 dias de vendas. O setor considera saudável um estoque entre 25 e 35 dias.

Impacto

Diante disso, montadoras instaladas no Paraná adotaram medidas de contenção. Ontem, os funcionários da fábrica da Volkswagem em São José dos Pinhais, na região de Curitiba, aprovaram a proposta da montadora para suspender temporariamente mais 400 contratos de trabalho, a partir de maio.

Já a Renault, que cortou parte da produção após o Carnaval, parou a linha de montagem de automóveis, também em São José, ao decidir prolongar a folga do feriado de Tiradentes até o fim da semana.

Antes da Páscoa, a Fiat concedeu férias coletivas de 20 dias a 800 funcionários na fábrica de Betim (MG). Mas a ação mais radical até agora foi da Mercedes-Benz, que anunciou um plano de demissão voluntária e suspendeu um dos dois turnos da linha de caminhões em São Bernardo do Campo (SP). Parte do excedente de mão de obra – estimada em cerca de 2 mil operários – ficará afastada da fábrica por meio de licença remunerada.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Sergio Butka, a situação preocupa porque não há sinais de reação do mercado. “No Paraná, o caso mais difícil é o da Volkswagen, porque a empresa adiou a renovação de produtos e o mercado interno está mais fraco. No caso da Renault, o principal problema é a crise na Argentina”, diz. O mercado argentino é o destino de 13% da produção brasileira de veículos.

Autopeças

O pé no freio das montadoras já atinge a cadeia de autopeças. “O ajuste é imediato”, diz o presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) no Paraná, Benedicto Kubrusly Júnior. Segundo ele, no entanto, ainda não há informações sobre demissões no setor.

Kubrusly afirma que o mercado não deve esboçar reação até o fim do semestre, ainda pressionado pelo endividamento do consumidor, o fim da redução do IPI e o crédito mais seletivo por parte dos bancos. “As montadoras não vão conseguir produzir o mesmo que em 2013, como previam inicialmente. A produção vai cair”, prevê.

Anfavea propõe mais prazo para férias coletivas

Da Redação

A indústria automotiva e as centrais sindicais discutem, conjuntamente, uma proposta para flexibilizar as férias coletivas e manter o emprego na indústria. Segundo o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, a proposta consiste em ampliar o prazo para suspensão de contratos de trabalho (o chamado layoff) em tempos de queda na produção para evitar demissões. As informações são da Agência Brasil.

Atualmente, a legislação permite que as montadoras concedam férias coletivas de até cinco meses aos empregados. Nesse período, os trabalhadores ficam em casa recebendo 100% do salário líquido. Do total, parte é bancada pelas empresas e parte é coberta pelo seguro-desemprego. De acordo com Moan, os empresários e os trabalhadores querem a ampliação do prazo de dispensa, mas o novo período de férias coletivas ainda não está definido.

A proposta, disse o presidente da Anfavea, ainda não foi discutida com o governo. “Essa é uma ideia que está sendo formatada. Não há nenhuma definição. Estamos traçando, com as centrais sindicais, um planejamento de médio e longo prazo”, esclareceu.

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