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No interior, a mobilidade também é problemática...

Quinta-feira, 08 de maio de 2014

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Outras cidades do Paraná já apresentam desafios de deslocamento semelhantes aos de Curitiba. Para especialistas, falta planejamento de longo prazo

 

A falta de ciclovias e a qualidade do transporte coletivo são preocupações constantes dos curitibanos, mas nos últimos anos também passaram a incomodar os moradores das cidades do interior do Paraná.

Embora Ponta Grossa, nos Campos Gerais, não seja uma metrópole, o tempo gasto no trajeto entre a casa e o trabalho de alguns moradores da periferia da cidade já chega a uma hora, superando a média da campeã da demora no país: São Paulo. Uma pesquisa recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) com dez regiões metropolitanas indicou que na capital paulista o tempo médio de deslocamento casa-trabalho é de 42,8 minutos. Em Curitiba, é marca de 32,1 minutos.

A dona de casa Regiane de Queiroz leva uma hora para percorrer dez quilômetros entre sua casa, no conjunto Gralha Azul, e o Centro. O ônibus passa de hora em hora e ela tem de se deslocar ao terminal de Nova Rússia antes de chegar ao terminal central porque não há linha direta entre a sua residência e o centro. “É ruim porque quando chega ao terminal de Nova Rússia ainda tem que esperar uns 15 minutos para pegar o ônibus até o terminal central”, comenta.

Com uma proporção de 0,53 carro por habitante, a cidade tem uma frota de 176 mil veículos, segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), 213 ônibus e 100 mil passageiros/dia dependendo do transporte coletivo, mas nenhuma ciclovia. Lançado há um mês, um plano de mobilidade que prevê intervenções na ordem de R$ 400 milhões promete melhorar a situação, mas ainda depende de inclusão no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal.

Integração

Além da escassez de recursos financeiros, um entrave comum ao desenvolvimento da mobilidade nas cidades do interior é a falta de planejamento de longo prazo, que priorize questões-chave como a integração de modais e do transporte público. Em Foz do Iguaçu, Oeste do Paraná, as principais reclamações dos moradores – ônibus lotados e o longo tempo de espera em alguns pontos da cidade – são exemplos disso. A estudante Caroline Agripino diz que os coletivos passam a cada 45 minutos no Jardim das Palmeiras, onde mora. “A passagem é muito cara para a qualidade do serviço oferecido”. O transporte coletivo de Foz tem cerca de 65 mil usuários por dia, opera com 143 ônibus em 42 linhas, mas não é integrado e não conta com um terminal central. Os ônibus circulam em meio a uma frota de 148.941 veículos, ou seja, 0,58 por habitante.

A cidade também precisa de mais ciclovias (há dois quilômetros, além de três quilômetros de ciclofaixas que precisam de revitalização) e da retirada do trânsito de caminhões de carga que vem da Argentina e passa pelo centro, por falta de uma via alternativa.

Em Londrina, cidade do Norte que tem a segunda maior frota do estado, há apenas 17 quilômetros de ciclovia em funcionamento, com a intenção de chegar a 100 quilômetros. Com 424 ônibus em operação e 80 mil usuários por dia, por ora, as ações que realmente estão saindo do papel são de cunho mais imediato, como o alargamento de vias arteriais, como a Rua Goiás e a Avenida Duque de Caxias.

 

Maringá

Para o arquiteto e urbanista Thiago Botion Neri, professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e especialista em Mobilidade Urbana, ainda falta muito planejamento na cidade. Segundo ele, hoje a prefeitura de Maringá só resolve problema de fluxo, mas não trabalha com medidas de mobilidade a longo prazo. O arquiteto e urbanista defende a construção de ciclofaixas, que poderiam ser implantadas com mais rapidez e menor custo.

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