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Emergências pediátricas viram “postos de saúde”...

Terça-feira, 20 de maio de 2014

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Com o descredenciamento de pediatras dos planos de saúde, famílias buscam nos hospitais atendimento que poderia ser feito no consultório

Nas emergências pediátricas dos hospitais de Curitiba, dezenas de crianças esperam horas, no colo dos pais, pela consulta. A cena, que se tornou rotineira, é reflexo do que as sociedades médicas classificam como crise do atendimento pediátrico, provocada principalmente por dois motivos: a desistência dos médicos de atender por planos de saúde e falta de pediatras nas unidades básicas.

 

O resultado disso tem sido a sobrecarga dos serviços de emergência dos hospitais especializados, concebidos para atender eventos graves, mas que acabam tendo de atender casos simples, que poderiam ser resolvidos em consultórios. “Por causa da remuneração, os pediatras estão deixando de atender pelos convênios. Os pacientes de consultório estão migrando para os hospitais, que estão se tornando ‘postões de saúde’”, define o médico Gilberto Pascolat, diretor clínico do Hospital Evangélico e presidente da Sociedade Paranaense de Pediatria (SPP). “Isso também ocorre no Brasil, como um todo”, ressalta.

Em Curitiba, a SPP indica que a sobrecarga pesa sobre as emergências pediátricas dos sete hospitais que prestam este serviço na capital. A unidade com maior demanda – o Hospital Pequeno Príncipe – vem fazendo milagre para operar acima do limite. A emergência tem capacidade de atender até 400 crianças por dia, pelo setor de convênios. Nos últimos dois meses, no entanto, a média esteve além deste patamar. Nas últimas semanas, a unidade chegou a receber mais de 650 pacientes ao dia – 60% acima de sua capacidade. Na última terça-feira, por exemplo, às 19 horas, havia 98 crianças na fila. Às 3 da manhã, eram 42. A espera chegou a sete horas. “Mais de 80% do que atendemos poderia ter sido resolvido em um consultório pediátrico. Chegamos a atender até assaduras de fraldas. Essa não é a finalidade de uma emergência. Viramos um grande consultório”, desabafa o médico Victor Horácio Costa Júnior, coordenador das emergências do hospital.

No Evangélico, as crianças esperam, em média, uma hora pela consulta. No início do ano passado, o atendimento era imediato. Segundo o hospital, o volume de atendimento na emergência pediátrica por convênios saltou de 10% para 40% do total. Os 27 leitos vivem ocupados.

Descredenciamento

As associações médicas revelam que tem havido um aumento contínuo no descredenciamento dos pediatras dos planos de saúde. Em média, o médico recebe entre R$ 40 a R$ 60 por consulta. Mas, as sociedades estimam que, retirando as taxas e os custos de manutenção, sobram cerca de R$ 5 ao profissional. “Não faltam pediatras. O que existe é uma distribuição desigual, determinada pelo mercado”, diz o diretor de defesa profissional da Sociedade Brasileira de Pediatria, Milton Macedo de Jesus. “Essa desvalorização não expressa o que a sociedade aspira e espera no atendimento de saúde.”

 

Entidades criticam falta de pediatras

 

Além da migração de pediatras para fora dos planos de saúde, as associações médicas mostram que, em Curitiba, outro fator contribui para a superlotação das emergências dos hospitais: a falta de pediatras nas unidades básicas de saúde. Das 109 unidades da capital, 65 funcionam nos moldes do Programa Saúde da Família (PSF), em que uma equipe formada por médico (sem especialização em pediatria), enfermeiro e agentes de saúde atendem a comunidade. “Isso é um absurdo, porque o profissional preparado para atender crianças é o pediatra. É falta de compromisso com a criança e de responsabilidade, que culmina com atraso de diagnósticos de doenças” diz o médico Milton Macedo de Jesus, da SBP.

Exagero

Não faltam exemplos para corroborar a tese. Nas emergências hospitalares, vários pais foram encaminhados pelas unidades de saúde ou recorreram ao hospital por não terem encontrado pediatras nos postos. “Muitos são atendidos pelo PSF, mas, ainda assim, querem a avaliação do pediatra. Nós mais que dobramos a média de atendimentos via SUS”, diz Victor Costa Júnior, do Pequeno Príncipe. “É uma estratégia meio burra, porque acaba saindo mais caro. Antes uma consulta resolvia, agora não mais. O paciente vai para hospitais ou, pior, se complica com uma doença que não foi identificada pela falta do pediatra nos postos”, argumenta Gilberto Pascolat, da SPP.

 

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