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Candidatos partem para o ataque no primeiro debate

Sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Última Modificação: 27/08/2018 18:57:18 | Visualizada 175 vezes


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Em um programa com poucas propostas, Beto Richa (PSDB), Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) trocaram acusações e apontaram fragilidades mútuas

 

Os três principais candidatos ao governo do Paraná partiram para o ataque na noite desta quinta-feira (28) no debate da Band Curitiba, primeiro encontro entre os concorrentes transmitido pela televisão na campanha deste ano. Em um programa com poucas propostas, Beto Richa (PSDB), Roberto Requião (PMDB) e Gleisi Hoffmann (PT) trocaram acusações, apontaram fragilidades mútuas e falaram sobre temas como pedágio, saúde, educação e empréstimos para o Paraná.

A presença de mais cinco candidatos — Bernardo Pilotto (PSol), Ogier Bucchi (PRP), Rodrigo Tomazini (PSTU), Geonisio Marinho (PRTB) e Tulio Bandeira (PTC) — pulverizou o debate e acabou inviabilizando a exposição de propostas por parte dos principais concorrentes, que partiram

para as críticas logo na primeira pergunta, com um confronto direto entre Requião e Richa.

Ao responder sobre os números de seu governo, o tucano acusou Requião de "tentar dissimular e confundir a opinião pública". “Já está de cabelo branco, é hora de começar a falar a verdade”, criticou. Requião disse que o candidato à reeleição usou de “truculência e exibicionismos” em sua resposta e questionou a política de substituição tributária do atual governo, que segundo ele "derrubou 40 mil empregos”. Richa mandou o adversário “manter o equilíbrio”.

Empréstimos

Gleisi Hoffmann foi questionada pelo candidato à reeleição sobre a demora por parte do governo federal, do qual ela fez parte, para liberar empréstimos para o Paraná. “O Paraná é o quinto maior contribuinte [do país] e o último a receber empréstimos do governo federal”, criticou.

A petista classificou a argumentação de Richa como uma “tentativa de justificar a incompetência de administração e de gestão do Paraná”. “São R$ 817 milhões, [Richa] administrou mais de R$ 100 bilhões em três anos e meio. Gostaria de saber o que fez com os R$ 100 bilhões."

Corrupção e Kinder Ovo

Richa atacou o governo federal e disse que há "obras superfaturadas, corrupção e líderes [do PT] na penitenciária da Papuda”. Gleisi rebateu com o caso da “sogra fantasma” (sogra de Ezequias Moreira, ex-assessor de Richa e secretário estadual, que era funcionária fantasma da Assembleia Legislativa do Paraná). “Em nenhum momento criamos [o governo federal] uma secretaria especial para colocar genro de sogra fantasma.”

A candidata do PT criticou ainda o fato de Richa sempre se dizer “surpreso” com os problemas enfrentados pelo governo. “É um governante de surpresas, parece um governante Kinder Ovo”, ironizou.

Turismo e bronzeado

Principal alvo, Richa entrou em novo bate-boca com Requião. O peemedebista aproveitou uma pergunta do candidato do PRTB, Geonisio Marinho, para dizer que o governador "não trabalha". “[Richa] não gosta de trabalhar, acorda tarde, está muito preocupado com o bronzeado e com o cabelo”, atacou o senador.

O tucano obteve direito de resposta e chamou Requião de “senador turista”. “É o que mais viaja ao exterior com dinheiro público”, criticou. “Na Granja Canguiri [residência oficial do governo do estado], cavalgava todas as manhãs. Eram R$ 8 milhões para ele [Requião] poder se divertir todas as manhãs.” Recentemente, o Ministério Público do Paraná abriu uma investigação sobre o tratamento dos cavalos do Canguiri na época em que Requião governou o estado.

Prisões e aposentadoria

Requião foi questionado por Gleisi Hoffmann por receber aposentadoria de ex-governador e acumular com o salário de senador. O candidato do PMDB disse que abriu mão do benefício por 16 anos, deixando de receber R$ 5,5 milhões. Ele teria aceitado os recursos para pagar indenizações decorrentes de decisões judiciais, após ter denunciado "ladrões". “Precisamos ter coerência. Você já fez campanha batendo em candidato que recebia aposentadoria especial”, cobrou Gleisi. “Fazer o povo do Paraná pagar por aquilo que o senhor fala?", questionou a petista.

Gleisi enfrentou então uma pergunta de Tulio Bandeira sobre a prisão de Eduardo Gaievski, ex-assessor da petista na Casa Civil do governo federal. Gaievski foi preso sob suspeita de pedofilia. Os casos teriam ocorrido quando ele foi prefeito de Realeza, no Sudoeste do estado. Bandeira sugeriu ainda que Gleisi e o marido dela, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, formam uma espécie de oligarquia no estado.

A candidata do PT, que sempre disse desconhecer a investigação contra Gaievski, respondeu que Bandeira "tem 30 inquéritos policiais nas costas" e chegou a ser preso sob suspeita de estelionato. "Não tem moral para chegar aqui e cobrar posicionamento. Nunca respondemos por formação de quadrilha, nem fomos presos por isso", respondeu Gleisi, que disse ter entendido de onde partiam acusações e insinuações sobre o caso do ex-assessor. Bandeira confirmou que foi preso e disse que provaria sua inocência.

Baixa ou acaba

Tema recorrente nas campanhas para o governo do estado, o pedágio foi a principal arma dos adversários contra Requião, que se elegeu em 2002 prometendo reduzir as tarifas. Richa afirmou que o governo do adversário eliminou obras de responsabilidade das concessionárias e que a tarifa dobrou nos oito anos da administração Requião.

Ogier Buchi também acusou Requião de suprimir obras que seriam responsabilidade das concessionárias de pedágio. Recentemente, o candidato do PMDB abandonou uma entrevista à rádio CBN Cascavel, no Oeste do estado, quando perguntado sobre o tema. “Absolutamente não”, negou Requião.

Acusado por Requião de retirar as ações judiciais movidas por seu governo contra as concessionárias, Richa chamou o adversário de "mitômano". "Concordo que o pedágio é muito caro no Paraná, e um dos donos de um dos pedágios mais caros do Brasil é candidato a senador na chapa do Requião" afirmou o tucano em referência ao candidato Marcelo Almeida (PMDB).

Esquerda unida

Gleisi Hoffmann foi alvo dos dois candidatos mais à esquerda, Bernardo Pilotto, do PSol, e Rodrigo Tomazini, do PSTU. Ambos criticaram o governo federal pela "privatização" do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Nesta quinta-feira, o Conselho da UFPR aprovou a adesão do HC a um contrato de cogestão com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

Pilotto e Tomazini também criticaram a ação da Polícia Militar nas manifestações contra a adesão do HC e disseram que os demais candidatos, se forem eleitos, trabalharão pelos interesses de seus doadores de campanha.

Considerações finais

No último bloco, os candidatos tiveram dois minutos para fazer suas considerações finais. Beto Richa, o primeiro a falar, disse que seu governo é "vencedor", apesar das "dificuldades enfrentadas". "Somos os maiores geradores de empregos", afirmou o tucano, que prometeu "um novo ciclo de crescimento".

Geonísio Marinho disse que vai aproveitar o que chamou de "onda da mudança". "Subirei nessa onda e desembarcarei no Palácio Iguaçu", previu. "Você que quis gritar gol, que teve essa decepção com a seleção brasileira, chegou a hora de num único clique derrotar 300 prefeitos e 17 partidos."

Gleisi Hoffmann voltou a alfinetar Richa, dando a entender que o governador age pouco. "Vocês já imaginaram se no nosso estado tivéssemos um governo que acorda cedo, dorme tarde, que trabalha, que vai à luta e não fica reclamando nem esperando as coisas acontecerem?", questionou a petista, que prometeu criar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do Paraná.

Rodrigo Tomazini destacou que Gleisi e Richa pertencem a partidos que estão no poder e disse que as acusações levantadas no debate serviriam para todos os demais. "São acusações que serviriam para qualquer um deles. Eles trabalham para aqueles que financiam suas campanhas."

Para Bernardo Pilotto, "sobraram baixarias" no debate. "É uma pena que a política do Paraná se resuma a discutir quem acorda mais cedo, quem anda de Porsche e de cavalo. São três candidatos da mesmice e três combinados com a mesmice", acusou. O candidato do PSol disse ainda que o governo de Beto Richa é o "pior dos últimos 30 anos no Paraná."

Requião garantiu ter reduzido a dívida do Paraná de R$ 30 bilhões para R$ 24 bilhões quando governou o estado e afirmou que a atual administração aumentará o endividamento em R$ 9 bilhões. "Estamos vivendo um apagão de administração pública. Estamos vivendo uma mentira".

Túlio Bandeira apostou no discurso da gestão eficiente. "Vou fazer um enxugamento da máquina pública e uma diminuição dos cargos de confiança". Ele afirmou ainda que em seu eventual governo a carreira de policial militar será incentivada.

Para Ogier Buchi, o último a falar, os demais candidatos prestaram um "desserviço" ao não destacarem a "pujança" do estado durante o encontro. "Somos a quinta economia deste país e todos contribuímos para ela", afirmou Buchi, que criticou os constantes ataques durante o debate.

 

 

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