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21 anos: a idade da morte no tr?nsito...

Segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Última Modificação: 27/08/2018 18:56:50 | Visualizada 150 vezes


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Se você tem 21 anos, redobre a atenção. Se é pai ou mãe de um jovem com essa idade, reforce as recomendações de cuidado. Mesmo que não se encaixe em nenhuma das duas categorias, provavelmente você conhece alguém com 21 anos e seria bom que soubesse que essa é a faixa etária com maior risco de ter a vida interrompida em um acidente de trânsito no Brasil: a taxa é de 42 mortes a cada 100 mil pessoas por ano – o dobro da média do restante da população –, segundo o Mapa da Violência, pesquisa do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela). Pensando nisso, o foco da semana de prevenção a acidentes, que começa hoje em Curitiba, será o público jovem: de 16 a 21 anos.

 

Com a ajuda da linguagem multimídia, um road show percorrerá grandes universidades da capital paranaense (PUCPR, FAE, UP e Universidade da Indústria da Fiep). As incrições, gratuitas, podem ser feitas no site www.sesipr.org.br. A campanha é do Centro Internacional de Formação de Atores Locais para a América Latina (Cifal), em parceria com a Fiep, a Renault e a Ecovia.

Imprudência e álcool entre os principais fatores

Um recorte feito pelo programa Vida no Trânsito, a pedido da Gazeta do Povo, mostrou que 26 pessoas com idade de 16 a 21 anos morreram em Curitiba no ano passado. A maior parte das vítimas é do sexo masculino (23 casos) e sofreu acidente de moto (11 casos – 42% das mortes na faixa etária).

Sobre os fatores e condutas de risco, o abuso de velocidade aparece como o primeiro colocado entre os casos que levaram a mortes de jovens no trânsito. Ausência de direção defensiva vem na sequência. Já quando são avaliados os causadores de acidente em todas as faixas etárias, o desrespeito à sinalização (como avanço de sinal vermelho) é o mais recorrente.

Também chama a atenção o resultado de uma consulta feita Ministério da Saúde, via telefone, que mostrou que um em cada três jovens curitibanos reconheceu que, recentemente, bebeu e dirigiu. Ao analisar todas as faixas de idade, a proporção vai para um em cada quatro.

A boa notícia é que os números em Curitiba vêm caindo em relação ao início da década passada, de acordo com o Mapa da Violência, levantamento realizado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela). No Paraná, a mesma pesquisa mostra que uma em cada três mortes em acidente no estado é de jovem na faixa dos 15 aos 29 anos.

Mas a juventude não é apenas vítima. Atrás do volante, mais da metade dos motoristas causadores de acidentes graves tinham menos de 35 anos. É o que mostra uma pesquisa feita pela Liberty Seguros, que analisou 107 mil colisões. Os jovens com até 25 anos eram responsáveis por 21% das batidas violentas.

 

Tragédia

 

“Perder um filho não tem explicação”

Foi no carnaval deste ano que o caminho da professora Raimunda Carvalho mudou drasticamente de rumo. O filho mais velho, Caique Matheus Carvalho Nascimento, de 19 anos, estava indo para casa passar o feriado. Pegou carona com um amigo da família, que tentou ultrapassar uma motorista conhecida. “Era uma brincadeira”, Raimunda ficou sabendo. O carro passou reto na curva e caiu em um barranco.

Caique estava no banco de trás, com cinto de segurança, mas o impacto foi forte demais e ele morreu na hora. A suspeita é de que uma mala pesada que estava no banco pressionou o corpo dele. “Não vi mais meu filho. O caixão precisou ficar fechado”, conta. Caique teve politraumatismos.

Caique cursava Engenharia de Produção no UFPI e ia para a casa dos pais em São Antônio dos Lopes, no Maranhão, a 250 quilômetros de Teresina. “Tudo é negociável nesta vida, se você perde uma casa, se você contrai dívida, mas perder um filho não tem explicação”, diz Raimunda.

Logo depois do acidente, correu para a casa de duas vizinhas que haviam passado por situação semelhante. Como recebeu apoio, decidiu fazer o mesmo por outras pessoas. Não deixa os outros dois filhos, de 9 a 16 anos, saírem com motoristas inexperientes e distribui orientações.

Nunca o trânsito foi tão violento

Ao alcançar a taxa de 23,7 mortes no trânsito a cada grupo de 100 mil habitantes, o Brasil chegou à mais alta marca já registrada. Nem mesmo na década de 1980, quando a mortalidade no trânsito era maior do que o número de homicídios, a proporção de óbito por acidentes era tão alta como agora. E a proporção do crescimento foi ainda maior entre os jovens de 15 a 29 anos, com 29,4 mortes a cada 100 mil pessoas.

E essa vai para você que acha que fiscalização e leis mais rígidas não têm relação nenhuma com tragédias nas ruas e nas estradas: nas últimas duas décadas, o único momento em que as taxas de óbito diminuíram foi no período em que entrou em vigor o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que passou a obrigar, por exemplo, o uso de cinto de segurança e estabelecia regras mais duras para quem dirigisse sem habilitação ou acima da velocidade permitida. Passado o furor inicial da lei, os números de mortes voltaram a subir. Em 1996, antes do CTB, a taxa era parecida com a de hoje.

Novatos lideram entre causadores

Uma em cada três mortes em acidente no Paraná é de jovem na faixa dos 15 aos 29 anos, mostra o Mapa da Violência, levantamento realizado pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela). O estado é o terceiro em óbitos de jovens registrados nas ruas e nas rodovias, atrás apenas de Rondônia e Piauí. Além disso, o Paraná tem 10 cidades entre as 100 brasileiras que mais registraram falecimento de jovens no trânsito.

Mas a juventude não é apenas vítima. Atrás do volante, mais da metade dos motoristas causadores de acidentes graves tinham menos de 35 anos. É o que mostra uma pesquisa feita pela Liberty Seguros, que analisou 107 mil colisões. E os jovens com até 25 anos eram responsáveis por 21% das batidas violentas. Outro dado que também releva o perfil dos acidentes mostra que a madrugada (da meia-noite às 6 horas) registra a maior parte das colisões graves.

 

 

 

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